Arquitetura Nacional

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USO RESIDENCIAL - CONCURSO ABERTO DE ARQUITETURA
LOCALIZAÇÃO CURITIBA, PR
ANO DE PROJETO 2019 
             
2º LUGAR                                                                                                      

PROJETO ARQUITETÔNICO
  EDUARDO L MAURMANN, ELEN B N MAURMANN, PAULA OTTO, LUCAS VALLI, YURI KOKUBUN, MARCUS ARNHOLD, ISADORA CORTE REAL, SAMUEL DALL ALBA, LUCAS PESSATTO, LUISA CASSOL PASQUALOTTO, LENON FERRAZ, MARCELO GASPAROTTO, ALICE MUELLER, LEONHARD BRAVO SEYBOTH

Isso tudo parece óbvio, mas cada vez mais é esquecido pelas incorporadoras e por nós, arquitetos. Cabe a nós parte da culpabilidade desse cenário de insegurança que se tem hoje nas cidades. E cabe a nós sim pensar em projetos que procurem mudar isso - pensar em estratégias que promovam a integração entre as edificações e a rua e entre as pessoas.

Sabemos que um prédio de apartamentos tem como premissa básica promover a segurança dos moradores. Mas existem inúmeras formas de promover segurança que não seja através de muros posicionados junto da calçada. Ceder parte do recuo de jardim, por exemplo, é uma enorme gentileza urbana que é poucas vezes considerada. Caminhar ao lado de um jardim certamente é muito mais bonito - e seguro - do que ao lado de um muro.

Isso dito, o projeto a ser apresentado a seguir pretende provocar esses questionamentos. Provar que é possível fazer prédio absolutamente funcional, otimizado e muito seguro, mas ainda sim conectado com o seu entorno. O conceito que se apresenta é de um prédio convidativo, conectado e de forma alguma dê as costas para a cidade. Que seja vivo e que tenha olhos voltados para a rua, cuidando dos seus moradores e cuidando das pessoas vivem nessa vizinhança.

Quem são nossos vizinhos? Quem circula todos os dias na frente das nossas casas? Se uma criança perdida aparece na sua porta, você sabe dizer de onde ela veio? Cada vez mais, nos dias de hoje, a resposta para essas perguntas é não. Não sabemos quem são nossos vizinhos por que, por medo da violência, cada vez mais diminuímos o nosso círculo de convivência. Nos fechamos em nossas casas e nos sentimos falsamente seguros. Construímos muros para nos proteger de um inimigo que, na grandeza de sua invisibilidade, pode tomar a forma dos nossos maiores medos. Andamos de carro porque na rua não sabemos o que pode nos esperar na próxima esquina.

Sabemos, porém, que essa atitude individualista de se “enclausurar” (seja em nossas casas ou em nossos carros) é o que está deixando as nossas cidades cada vez mais doentes. Se ninguém circula a pé nas ruas, um assalto se torna obviamente mais propício a acontecer, visto que não existem testemunhas que possam intimidar o criminoso. Se andamos somente de carro, é certo que as distâncias se tornarão cada vez maiores e a escala das coisas não será mais feita pras pessoas, e sim para os carros.