Arquitetura Nacional
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Concurso Memorial às Vítimas da Kiss

CONCURSO, INSTITUCIONAL

CONCURSO MEMORIAL KISS


USO INSTITUCIONAL
LOCALIZAÇÃO SANTA MARIA, RS, BRASIL
ANO DE PROJETO 2018                                                                                                                     

PROJETO ARQUITETÔNICO  EDUARDO L MAURMANN, ELEN B N MAURMANN, PAULA OTTO (sócios)  E EQUIPE ARQUITETURA NACIONAL

A MEMÓRIA É UM PALÁCIO SEM PAREDES

Isto não é um prédio. Prédios são frágeis, acabam destruídos pelo tempo ou por desgraças inenarráveis.Isto não é um prédio. Prédios são feitos de matéria física, podem ser confundidos com coisas banais que só os olhos veem.Isto não é um prédio. É o símbolo de uma ideia simples e poderosa: nunca esqueceremos. Juntos, nunca deixaremos que aconteça novamente.

E ideias não perecem ao tempo. Seguem vivas para sempre dentro das pessoas que acreditam nela.

Sem barreiras. O usuário circula livremente pelo espaço por grandes rampas com acesso universal, sem interrupções. O acesso se dá pelo nível da rua. O percurso inicia junto à face esquerda da edificação. O visitante é conduzido até a cobertura, onde está o espelho d’água, depois desce até a grande área do memorial. Tudo é fluído. Quem entra, pode sempre sair.

Um grande invólucro protege o volume central. Essa parede forte, em concreto branco, simboliza os olhos e a força de toda a cidade, zelando por aqueles que se foram. Na parede, temos gravados os nomes de todas as vítimas, além de um espaço para as lembranças colocadas pelos visitantes.

242 pessoas. 242 pilares metálicos sustentam a cobertura do volume central. Dentro e fora se confundem: não existe mais o fechado, o enclausurado. Nunca mais ninguém ficará preso aqui.O memorial está contido dentro de um cilindro translúcido. Junto aos pilares, temos a exposição do acervo do memorial. A luz é filtrada para dentro do espaço. Não existe escuridão, somente luz.

As áreas de apoio e o auditório localizam-se no fundo do grande espaço coberto. São neutras, servindo de apoio para algo muito maior.Na cobertura, uma grande praça aberta com um espelho d’água. Água oposta ao fogo, mas água também como símbolo da paz. O coração em paz em saber que todos estão bem.

Este não é um espaço de tristeza. É um lugar para a celebração da vida daqueles que se foram jovens demais, alegres demais. Nada é mais simbólico dessa alegria do que a música, motivo que uniu todos naquela noite. Aqui, a música vai continuar tocando para sempre. Junto aos pilares, fones de ouvido estarão disponíveis tocando a música favorita de cada uma das 242 vítimas.

Isto não é um prédio. É uma ideia que nunca vai morrer. Eterna e infinita como o mais poderoso dos palácios: o palácio da memória.