Arquitetura Nacional

Concurso Espaço do Arquiteto CAU RS

Concurso

Concurso Espaço do Arquiteto CAU RS

USO INSTITUCIONAL
LOCALIZAÇÃO PORTO ALEGRE
ÁREA CONSTRUÍDA 195m² 
ANO DE PROJETO 2016
STATUS PROJETO EXECUTIVO FINALIZADO

PROJETO ARQUITETÔNICO  EDUARDO L MAURMANN, ELEN B N MAURMANN, PAULA OTTO
E EQUIPE ARQUITETURA NACIONAL  


 

1° LUGAR - Concurso Público Nacional de Arquitetura de Interiores

O projeto surge como proposta para atender a necessidade da criação do novo Espaço do Arquiteto, localizado junto à sede do CAU/RS, na cidade de Porto Alegre. O partido nasce do desejo de que os usuários – Arquitetos e Urbanistas – sintam-se realmente donos, pertencentes e atuantes no espaço. Com isso em mente, foram seguidas algumas premissas básicas que serão citadas a seguir.

Primeiramente, a necessidade de diferentes usos do espaço e suas inter-relações foram o ponto de partida para a criação do conceito arquitetônico. A estratégia inicial foi concentrar o programa e suas funções em um grande núcleo, a fim de liberar todas as paredes do entorno para implantar o espaço de exposição. Cria-se assim um percurso que gera surpresa, onde ao mesmo tempo em que direciona o usuário para as diversas salas do núcleo, o conduz pelas obras de arte e memórias expostas no espaço. Dessa forma, tem-se o espaço explorado na sua totalidade, sem áreas ociosas.

Com a intenção de configurar um percurso fluido, o projeto propõe um núcleo construído em brises de madeira que, além de exercer papel limitador do espaço e dar independência, molda-se em funções diferentes na sua face externa: ora são apenas divisórias e portas, ora viram um grande banco na área de espera, ora uma bancada para os computadores de acesso rápido. O fechamento interno do brise é feito em chapas de policarbonato translúcido, material de fácil moldagem e que garante privacidade e controle acústico para os espaços de reuniões. Outra característica importante desse núcleo é o fato de ter altura limitada: ao não encostar no teto, a continuidade visual é mantida em todo o espaço, deixando o grande forro sinuoso visível de todos os pontos da sala.

Reforçando o conceito de percurso, todas as paredes internas da sala recebem revestimento em painéis de MDF e Fórmica lousa branca. Visando obter um uso flexível para as exposições, foi criado um sistema de modulação das chapas de MDF + Fórmica com cremalheiras que permitem a fixação de itens parte da exposição - prateleiras para objetos e maquetes, fixação de quadros, colagem de adesivos, além de possibilitar desenhos na própria fórmica. A iluminação também é flexível, e varia conforme a necessidade da exposição. Para dar continuidade ao conceito de fluidez, uma nova proposta em chapas de policarbonato alveolar recria a fachada. Respeitando o antigo alinhamento, esse material gera maior privacidade ao espaço, sem comprometer a iluminação.

Outra premissa importante do projeto foi a de criar um espaço passível de ser controlado, porém não burocrático, e bastante permeável quando necessário. No dia a dia, temos o núcleo monitorado: o usuário tem acesso apenas às salas onde lhe é permitido, enquanto a equipe do CAU/RS circula livremente dentro desse núcleo central. No entanto, em dias de evento, o núcleo pode ser totalmente aberto, aumentando a área de exposições e permitindo livre acesso em todas as salas.

As escolhas formais e materiais foram tomadas com o objetivo de ressaltar o fato de se tratar de um espaço de/para Arquitetos brasileiros. Em um mundo cada vez mais globalizado, valorizar o que é nosso é dever de todos, especialmente dos Arquitetos e Urbanistas. As decisões formais refletem isso, uma vez que se destacam as linhas curvas e formas tão características da nossa arquitetura. A escolha do mobiliário também teve como premissa valorizar o design brasileiro com seleção de peças consagradas e premiadas mundialmente.

Especificamente sobre materiais, as escolhas foram baseadas no conceito de verdade dos elementos: foram escolhidos e explorados formalmente na sua essência, sempre buscando criar movimento ou grafismos no projeto. Embora remetam a um conceito bastante consagrado na arquitetura, os brises foram desenhados seguindo uma linguagem contemporânea, com auxílio de um software de parametrização, que otimiza ao máximo o uso de cada chapa, evitando o desperdício. O piso vinílico é de auto-tráfego e acústico, e modula-se ao sistema de piso elevado - premissa do edital. Com paginação aleatória e uso da solda colorida, cria -se um padrão geométrico. Além disso, foram levadas em conta suas propriedades físicas: considerando que é um espaço voltado para o atendimento ao público, as questões de durabilidade tiveram um peso grande nessas decisões.