Arquitetura Nacional

Concurso Anexo BNDES

Concurso Anexo BNDES

USO COMERCIAL
LOCALIZAÇÃO RIO DE JANEIRO - RJ
ÁREA PROJETO 46.766m²
ANO DE PROJETO 2014
STATUS ANTEPROJETO

PROJETO ARQUITETÔNICO EDUARDO L MAURMANN, ELEN B N MAURMANN, PAULA OTTO
E EQUIPE ARQUITETURA NACIONAL
 

O projeto do anexo do BNDES é uma das raras situações de transformação da paisagem urbana já consolidada na área central do Rio de Janeiro e possibilita a criação de um novo edifício com significativo impacto urbano. 

A proposta arquitetônica aqui apresentada utiliza essa oportunidade para valorizar o edifício existente utilizando-o como cartilha de aprendizado. Propomos pavimentos escalonados apoiados em base vegetada, com o intuito de dar continuidade ao jardim do edifício existente tão bem projetado. O embasamento do novo edifício dialoga com a rua, aonde diferentes usos se conectam a caminhos de pedestres, irrigam o térreo de espaço público e maximizam conexões.

O sistema estrutural proposto visa economia de meios com apoios em poucos pontos que liberam o térreo, e fazem uma releitura do sistema de pilares em cruz utilizado no edifício existente. Os andares corporativos possuem treliças metálicas da altura do pavimento, possibilitando vãos maiores com balanços estruturais que criam terraços ajardinados.

O partido arquitetônico tem a premissa de criar situações de conforto ambiental favoráveis à ocupação do edifício. O uso de diferentes recuos entre os pavimentos cria situações de sombra e protege diferentes cenários de insolação. Os materiais utilizados na proposta contribuem para a redução de resíduos de construção, com a utilização de elementos de estrutura em aço e a vedação dos pavimentos com esquadrias de vidro envolvidas por brises de alumínio de diferentes tipos para sombreamento das fachadas. Utilizamos cobertura vegetal nas lajes como pretexto paisagístico auxiliando o desempenho térmico da edificação. 

Os pavimentos são recuados com relação ao muro de arrimo, criando um pátio interno ao fundo que é comum aos pavimentos e utilizado como fonte de iluminação natural e resfriamento do edifício.

O PROGRAMA NO PROJETO

O programa de necessidades foi setorizado em três faixas de uso relacionadas à categoria de usuários internos e externos estipulando níveis de controle de acesso. As conexões propostas entre o edifício existente e o anexo acontecem em três níveis: na área de estacionamento correspondente ao subsolo do EDSERJ, no pavimento térreo em rampa, e na sobreloja do edifício existente que se conecta ao primeiro pavimento corporativo do anexo. O pavimento térreo possui circulação pública conectando o bloco novo ao existente criando um trajeto acessível entre as Ruas República do Paraguai e República do Chile. No novo acesso possibilitado pelo anexo, se tem conexões através elevadoras ao Caminho de São Francisco, podendo ter seu acesso controlado a critério do BNDES. O programa dividido em três grupos tem nos subsolos estacionamento e áreas condominiais e de infraestrutura. Os três pavimentos de uso público são térreo, mezanino e primeiro subsolo, com os Centros de Informação, Conhecimento, Documentação e Memória, Centro Internacional Celso Furtado e Auditório, Centro de Estudo e Desenvolvimento de Competências. Já o terceiro núcleo de usos corresponde ao grupo corporativo, com andares de uso interno dos escritórios do complexo distribuídos em seis pavimentos tipo. 

ESTRATÉGIAS SUSTENTÁVEIS

O partido arquitetônico utilizado corrobora a premissa de propiciar um bom desempenho térmico da edificação. O reflexo formal é a utilização de pavimentos recuados, gerando terraços de vegetação e sombra. O condicionamento passivo é maximizado através da utilização do pátio interno junto ao muro de arrimo como fonte de arrefecimento da edificação, proporcionando iluminação difusa e resfriando os pavimentos através da circulação de ar. O revestimento empregado nas fachadas possui elementos que propiciam sombras horizontais e verticais. Dessa maneira, a radiação solar direta é bloqueada em sua maior parte antes de adentrar o edifício, reduzindo drasticamente os ganhos de calor, e consequentemente, reduzindo as demandas energéticas do sistema de climatização. O branco predominante nas fachadas auxilia na captação de luz dos espaços internos. A água advinda da chuva será armazenada em tanques de reserva de água na parte posterior da contenção do edifício. Dessa maneira, protege-se o muro de arrimo e armazena-se a água que poderá ser utilizada em um sistema de resfriamento natural do ar do pátio interno do edifício através de cataratas artificiais. A captura e armazenamento de água da chuva ainda contribuem para a drenagem natural, possibilitando o descarte gradual no sistema de coleta pluvial.